quinta-feira, novembro 24, 2005

Do teu Beijo










Arde em mim a tua língua de fogo
Um fogo imenso que me consome a alma
Entorna da boca e derrama-se em nós
Um ténue invólucro que nos envolve
Dissolve-se no ar e grava os nossos nomes no éter
Fervilha a lava nos corpos tépidos
A força tesa do sexo, o toque no teu ventre aveludado
Envolto no teu abraço apertado
Já não quero asas, nem sonhos.
Queria só parar o tempo agora...

Procuro no fundo dos bolsos o calor guardado das tuas mãos
Tento afastar este vazio que ficou depois de ti
Do teu Beijo

quarta-feira, novembro 16, 2005

Vou beijar-te




Vou beijar-te a boca
morder-te os lábios
brincar com a tua língua na minha.
Afagar-te o cabelo em desalinho
arrepiar-te o corpo manso
Seguir o sulco das tuas encostas
ao encontro dos picos estrelados

Vou deixar o meu rasto nas estradas do teu corpo
Perder-me no teu vale suado
trabalhado a fio e orvalho

Rasgar-te a fina pérola com o cristal agudo
encorajado pelos teus vagidos de hiena
Fundir-me no teu fogo carmim que me queima e engole

Encostar o meu peito no teu
até os corações brancos se sincronizarem
e as mãos entrelaçadas suarem.
Vir-me no teu arfar
estilhaçado o cristal em mil pedaços

Vou forjar o teu abraço eterno
guardar o teu cheiro na minha pele.

sábado, novembro 12, 2005

se eu tão só pudesse





se eu tão só pudesse voar como ave decidida ia procurar-te aí onde dormes esquecida

descoberta nesse ninho feito cama de ciúmes que te tem todas as noites presa num abraço sem fim

longe de mim e do mundo. ausente entre a lassidão e o abandono

se eu tão só pudesse espreitar-te o corpo nú que me desassossega a alma

passear o olhar pelo contorno do teu corpo enroscado, urdido a lascívia em cada curva que se abre dos seios ao encontro do núcleo que me faz perder os sentidos ao atingir o infinito

sentir o teu cheiro preso nas almofadas, na cama, nos livros que estiveste a ler ainda quentes das tuas mãos.

se eu pudesse esconder as lágrimas que teimam em turvar-me a vista por tudo te querer roubar-me e descem à boca doces por baixo do amargo da língua.

então talvez eu conseguisse dizer que te amo tanto

e se eu dissesse que te amo tanto

sexta-feira, novembro 04, 2005

Nina




Não estive contigo nem uma vez. Mas conheço-te. Ainda que cada pessoa seja um mundo que desconhecemos e se procura conquistar e descobrir à medida dos nossos desejos.
Conheço as palavras que escreveste nos diálogos que tivemos desde que me apareceste e que me acompanham os dias nas horas vazias de tudo. Disseste que a tua vida é um mapa que desenhas dia a dia. Traçado perto do mar que te beija a cara com sal quando lhe vigias as dunas de areia de cabelo ao vento.
Conheço o significado do bater acelerado do meu coração quando as quatro letras do teu nome se abrem numa janela de fundo azul iluminada pelo teu retrato. O corpo moreno estendido ao Sol, lânguido de vontade, desprendida de pensamentos. Imagino o desenho das tuas curvas na areia e pergunto-me se te dás conta do efeito que provocas ou se é tão inconsciente como natural.
É tão bom não saber nada. Não existe, não preocupa, não se sente. Mas é tarde. Agarraste-me por dentro, lá onde a vida se agarra e a dor é mais sofrida que o prazer. Agora só espero que a tua janela se abra, que estejas lá à minha espera, que me fales do que és, do que te importa como quando me elogiaste a boca. A mesma que te deseja. Desejo nem sei bem de quê. Talvez de te beijar a pele no limite que os lábios alcançam até desaparecer em ti.
Que estranho é conhecer. Talvez nem existas ou sejas outra pessoa. Estarei a imaginar-te? O engano é doce como o mel. Estou viciado. Não tenho mais certezas.
Vou esperar mais logo pela tua janela.
Penetraste em mim como um raio, veloz como a luz e ardente como a paixão.