Intimidade

Observo-te: deitada no leito do deleite, de mornos lençóis desfeitos.
Revoltos da luta que os corpos encetaram.
Agora leve pluma em sonhos de algodão doce envolta.
Há pouco selvagem faminta devorando a presa.
Os lábios que beijei, mordisquei, penetrei, desenhei com a língua.
Agora mudos das palavras belas e dos gemidos de cio.
Observo-te: as pálpebras cerradas planando em nuvens de algodão.
Há pouco abertas de olhos esmeralda sôfregos de desejo.
Os cabelos em desalinho escorrendo pelo pescoço em ondas vertiginosas.
Observo-te: os seios cheios que despi, toquei, amassei, suguei.
Agora colinas orgulhosas ao vento desfraldados.
Sinto ainda o arrepio nas costas de quando te senti ter o primeiro prazer.
Observo-te: o ventre marcado pelo rasto da saliva de quando nele desci.
Afogando-me na seiva de prazer do teu sexo entre paredes molhadas e mornas.
Rocei, lambi, ouvi, entrei.
Pleno de ardor qual duro poste altivo em vaivém constante ao sabor da tempestade.
Até aos gritos de prazer saídos desses lábios que observo agora mudos.
Deixei-te em repouso e saí.

1 Comments:
Fenomenal...grande fonte de inspiração!!! quem será a menina que o desassossega assim????
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